12/1/2018 - 9h22

Entre Palavras e Sentimentos: dia de Santos Reis

“Ô de casa, ô de fora Ô de casa, ô de fora Maria vai ver quem é Maria vai ver…

Da Liberdade FM
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“Ô de casa, ô de fora

Ô de casa, ô de fora

Maria vai ver quem é

Maria vai ver quem é

São os cantador de Reis”

    Há um tempo longínquo que não vejo o barulho de um reisado na rua onde resido. Sinto uma estranheza ao observar o silêncio nas noites calorosas dos primeiros dias de janeiro.

     Os ternos de Reis eram aguardados com entusiasmo por minha avó. Todos os anos ela montava um presépio enorme na sala e com alegria celebrava a chegada dos reisados para festejar o nascimento do menino Jesus.

    As músicas eram empolgantes e o toque dos instrumentos musicais também. O terno de reis era acompanhado por dezenas de pessoas. Primeiro canta do lado de fora da residência, após a permissão do dono da casa, a folia se instala na sala e assim acontecia na casa de vó.

    O velho e a mulinha era uma atração a parte, mas confesso que quando avistava aquele homem com uma barba grande, trajes coloridos, sandálias de couro e um porretinho na mão eu “estatalava” de medo e chorava até engasgar. O mesmo não acontecia quando via a mulinha, pois a achava linda.

    Às vezes, passava dois, três ou mais ternos de reis numa noite. Quando eles desfilavam pela madrugada eu ficava espiando da janela da sala de estar. Na casa de dona Iaiá tinha reis quase todo dia.

    O vermelho intenso, a caixa forrada com chita e papéis brilhantes. Dentro dela a imagem de São Sebastião, era o Reis de dona Virgínia, uma senhora loira, olhos azuis, cabelo curto e cacheado. Durante anos ela liderou um dos ternos mais lindos que já vi.

    Como forma de agradecimento á alegria trazida à família, um agrado é dado.  Em algumas regiões da zona rural, ele vem em forma de alimentos típicos da época (feijão verde, umbus, melancia, entre outras coisas), na cidade, é em dinheiro.

    Em 2013, a convite de uma amiga, fui acompanhar a apresentação de um terno em Morrinhos, em que seu Atenor era o puxador. Visitamos muitas casas, cada visita uma alegria, cada morador uma recepção peculiar. Danças, novos versos e por onde passava o número de acompanhantes aumentava. Quem recebia ofertava um café,  suco e até  uma cachacinha.

    Os bairros mais distantes da cidade foram privilegiados com os ternos de Reis, pois eles praticamente desapareceram do centro. Com o sumiço a saudade veio latente. Lembranças alegres, coloridas e cheias de melodia surgiram após ver uma foto de um reisado em Poçõezinho, um dos bairros de Poções.

   Quando a flauta tocar, a zabumba estremecer e o barulho do triângulo ecoar em frente a sua casa, não tenha medo e abra a porta, porque cantar reis não é pecado. E em coro o Menino Deus é saudado com uma linda melodia.

25 de Dezembro

Quando o galo deu o sinal

Que nasceu o Menino Deus

Numa noite de Natal

25 de Dezembro

Quando o galo deu o sinal

Que nasceu o Menino Deus

Numa noite de Natal, oh, iah

Suerlange Ferraz

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